quinta-feira, 7 de abril de 2016

Alzheimer transmissível?

Quem tem algum familiar com Alzheimer sabe bem o quão cruel pode ser esta doença, que acomete aproximadamente 35 milhões de pessoas no mundo, sendo 1,2 milhões apenas no Brasil. O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente idosos e resulta na perda das funções cognitivas, como memória, orientação e fala.

idoso alzheimer

Apesar de muitas pesquisas, ainda não se sabe exatamente o que desencadeia as alterações cerebrais que levam aos sintomas do Alzheimer. Porém, as principais alterações já são conhecidas: o acúmulo de fragmentos da proteína beta-amiloide – conhecidos como placas amiloides –, hiperfosforilação de uma proteína chamada tau e a redução de neurônios e do volume celular.

Agora, pesquisadores estão estudando a possibilidade da Doença de Alzheimer ser transmissível! As evidências que apontam para esta novidade foram encontradas em autópsias cerebrais e foram descritas na revista científica Nature. Mas é importantíssimo ressaltar que estas pesquisas ainda são bastante preliminares, e que seus resultados ainda não são considerados conclusivos.

alterações cerebrais alzheimer

Os pesquisadores realizaram autópsias em oito pacientes mortos pela Doença de Creutzfeldt–Jakob, com idades entre 36 e 51 anos Dentre os pacientes que passaram pelas autópsias, seis deles apresentaram sinais patológicos associados ao Alzheimer (o acúmulo de placas amiloides), além dos indicativos da Doença de Creutzfeldt–Jakob.

Por ser muito raro ver o acúmulo dessas placas amiloides em pessoas tão jovens e também por estes pacientes não apresentarem histórico de Alzheimer em suas famílias, os pesquisadores acreditam que elas possam ter sido transmitidas.

De acordo com os responsáveis pelas autópsias, estes pacientes haviam recebido, anos antes, uma combinação de hormônios do crescimento, que haviam sido extraídos de glândulas pituitárias de outros pacientes já falecidos. E de acordo com as pesquisas, estes estariam contaminados por proteínas beta-amiloides, o que teria resultado na transmissão da doença. Segundo esta hipótese, estas proteínas teriam agido como "sementes" que, depois de transmitidas a um paciente saudável, cresceram e formaram as placas típicas da doença.

placas amiloides

Apesar da presença das placas beta-amiloides no cérebro dos pacientes, nenhum deles havia apresentado sintomas visíveis da doença. A idade dos pacientes parece ser o principal motivo para a ausência de sintomas do Alzheimer, uma vez que a doença possui um longo período de incubação e costuma apresentar sintomas apenas em idosos.

Para confirmar a possibilidade de crescimento de placas a partir de "sementes" de proteínas beta-amiloides, os pesquisadores injetaram extratos contendo as proteínas no cérebro de ratos e saguis, demonstrando o crescimento das placas após a injeção dos extratos proteicos.

Agora, estes e outros pesquisadores pretendem iniciar novos testes em uma quantidade maior de pacientes, para confirmar ou desmistificar a relação entre as injeções de hormônios do crescimento contaminados e o aparecimento de placas beta-amiloides em pacientes anteriormente saudáveis.

Mais uma vez, é importante ressaltar que não há motivo para pânico. Além de não haver risco de transmissão por vias mais simples (como o contato humano), os tratamentos com injeções de hormônios de crescimento extraídos de cadáveres não são mais permitidos desde 1985 – depois que foi descoberto o risco de contágio da Doença de Creutzfeldt–Jakob. Porém, estes estudos são importantíssimos para a classe médica, principalmente no que diz respeito à esterilização de materiais cirúrgicos, além de fornecer evidências de formas mais complexas de transmissão da doença.

Fonte: https://www.biologiatotal.com.br

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